O governo federal iniciou, nesta terça-feira, uma nova etapa de reajuste nas alíquotas do imposto de importação para veículos elétricos e híbridos. A decisão, anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, faz parte de uma estratégia para fortalecer a indústria automobilística nacional diante do aumento das importações desses veículos. As novas tarifas, que variam conforme o tipo de automóvel, buscam equilibrar o mercado interno e estimular a produção local.
O cronograma de elevação das alíquotas foi aprovado pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior em novembro de 2023. Desde então, as montadoras e importadoras vêm se preparando para as mudanças, que impactam diretamente os preços e a oferta de veículos eletrificados no Brasil. O ajuste nas tarifas segue um planejamento gradual, com previsão de novas alterações até julho de 2026.
Como ficam as novas alíquotas para veículos elétricos e híbridos?
Com a atualização, os veículos híbridos convencionais (HEV) passam a ser tributados em 30%, enquanto os híbridos plug-in (PHEV) têm a alíquota elevada para 28%. Já os elétricos puros (BEV) agora pagam 25% de imposto de importação. Antes dessas mudanças, as tarifas eram menores: 25% para HEV, 20% para PHEV e 18% para BEV. O objetivo é que, até julho de 2026, todos os tipos de veículos eletrificados tenham uma alíquota única de 35%.
Essas alterações impactam diretamente o custo final dos veículos importados, podendo influenciar o comportamento de consumidores e empresas do setor. Montadoras que atuam no Brasil, especialmente as estrangeiras, precisam se adaptar ao novo cenário tributário para manter sua competitividade e presença no mercado nacional.
Quais os motivos para o aumento do imposto de importação?
O principal argumento do governo para o reajuste das alíquotas é a necessidade de proteger a indústria nacional e garantir condições mais equilibradas para a produção local de veículos eletrificados. O aumento das importações, especialmente de marcas chinesas, tem pressionado as montadoras instaladas no Brasil, que buscam ampliar investimentos em fábricas e tecnologia.
- Fortalecimento da cadeia produtiva nacional
- Estímulo à geração de empregos no setor automotivo
- Redução da dependência de produtos importados
- Incentivo à inovação e ao desenvolvimento tecnológico no país
Além disso, o governo argumenta que a medida cria um ambiente mais favorável para que novas fábricas sejam instaladas no Brasil, atraindo investimentos e promovendo a transferência de tecnologia.
Como o mercado brasileiro de veículos eletrificados reage às novas tarifas?
Entre janeiro e maio de 2025, o Brasil registrou o emplacamento de 187 mil veículos eletrificados importados, representando um crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. As montadoras chinesas, como a BYD, lideram o segmento, respondendo por 55,9% do mercado nacional, de acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Algumas fabricantes anteciparam a importação de veículos para formar estoques antes da vigência das novas alíquotas, buscando minimizar o impacto nos preços para o consumidor. A BYD, por exemplo, trouxe cerca de 7 mil unidades ao país e está prestes a inaugurar sua fábrica em Camaçari (BA), com início de produção previsto para julho de 2025. Essa movimentação demonstra a importância do mercado brasileiro para as montadoras e a busca por alternativas para manter a competitividade diante das mudanças tributárias.
O que muda para o consumidor e para o setor automotivo?
Com o aumento das tarifas de importação, é esperado que os preços dos veículos elétricos e híbridos importados subam gradualmente nos próximos meses. Para o consumidor, isso pode significar uma busca maior por modelos nacionais ou por alternativas mais acessíveis. Para as montadoras, o cenário exige adaptação, seja por meio de investimentos em produção local, seja pela diversificação do portfólio de produtos.
- Reajuste de preços nas concessionárias
- Possível aumento da oferta de modelos nacionais
- Incentivo à instalação de novas fábricas no Brasil
- Maior competitividade entre montadoras nacionais e estrangeiras
O setor automotivo brasileiro passa por um momento de transformação, impulsionado tanto pela transição para veículos mais sustentáveis quanto pelas mudanças nas políticas de importação. O acompanhamento dessas tendências será fundamental para empresas, consumidores e autoridades nos próximos anos.
