Nos últimos anos, um novo golpe digital tem chamado a atenção de especialistas em segurança da informação e de autoridades regulatórias. Trata-se de fraudes que combinam engenharia social, clonagem de identidade em aplicativos de mensagem e uso de inteligência artificial para enganar vítimas com grande sofisticação, visando obter dados pessoais, credenciais bancárias e acesso a contas em serviços online.
Como os golpistas usam deepfakes e clonagem de identidade?
Um dos elementos mais preocupantes é o uso de deepfakes de voz e de vídeo em tempo real. Os criminosos simulam a voz de familiares ou colegas de trabalho, pedindo transferências rápidas, dados pessoais ou códigos de autenticação, muitas vezes em situações de falsa urgência emocional.
Além disso, perfis falsos em aplicativos de mensagem são criados com fotos e informações reais obtidas online, o que gera forte sensação de confiança. Essa combinação de dados e tecnologia aumenta significativamente a taxa de sucesso do golpe, tornando as interações quase indistinguíveis de conversas legítimas.
Como o novo golpe digital é aplicado na prática?
Na prática, o golpe costuma seguir uma sequência organizada, começando por uma fase de preparação. Ferramentas automáticas mapeiam potenciais vítimas, filtram perfis com maior exposição financeira e identificam contatos próximos, incluindo familiares e colegas de trabalho mais citados nas redes.
Em seguida, os golpistas montam um roteiro de abordagem, que pode envolver pedido de ajuda urgente, atualização de cadastro, suposto bloqueio de conta bancária ou oferta de investimento. Em muitos registros recentes, múltiplos canais são usados ao mesmo tempo, como ligações, mensagens, e-mails e notificações falsas que imitam sistemas bancários.
Quais são as principais estratégias usadas pelos criminosos?
As estratégias mais relatadas por analistas de segurança combinam engenharia social com falsificação de canais e identidades digitais. Elas exploram a pressa, a confiança em pessoas conhecidas e a aparência de comunicação oficial para levar a vítima a agir sem verificar as informações.
- Clonagem de identidade em apps de mensagem com uso de foto, nome e histórico de conversas reais.
- Golpe do suporte técnico falso, em que alguém se apresenta como atendente de banco ou de plataforma digital para “verificar dados”.
- Fraudes em investimentos, com sites e aplicativos que imitam corretoras e bancos reconhecidos, prometendo ganhos rápidos.
- Sequestro de conta em redes sociais para pedir dinheiro a amigos e familiares ou espalhar novos links maliciosos.

Como identificar o novo golpe digital e se proteger?
A detecção precoce depende principalmente de atenção a sinais sutis, mesmo quando a mensagem parece vir de alguém conhecido. Pedidos de dinheiro, senha ou código de autenticação devem ser tratados com desconfiança inicial, especialmente quando há pressão por respostas rápidas.
Alguns cuidados simples podem fazer diferença importante no dia a dia, reduzindo a exposição e o impacto de possíveis ataques. Eles envolvem verificar identidades por outros canais, proteger credenciais e adotar recursos adicionais de segurança nas contas online.
- Confirmar por outro canal: ao receber pedido de transferência ou código, falar com a pessoa por ligação de número já conhecido ou por outro aplicativo.
- Desconfiar de urgências extremas: golpistas criam situações emergenciais para reduzir o tempo de reflexão e checagem.
- Nunca informar códigos de autenticação: bancos, plataformas de pagamento e redes sociais não solicitam códigos recebidos por SMS em ligações ou mensagens.
- Verificar endereços de sites: checar se o endereço começa com “https” e se o domínio corresponde exatamente à instituição real.
- Ativar autenticação em dois fatores em e-mails, redes sociais e aplicativos bancários, dificultando o sequestro de contas.
O que bancos, empresas e autoridades estão fazendo contra esse golpe?
Instituições financeiras, empresas de tecnologia e órgãos públicos têm adotado medidas para reduzir o alcance desse novo golpe digital. Bancos reforçaram sistemas de detecção de transações suspeitas, ampliaram limites personalizáveis e intensificaram campanhas educativas explicando que não pedem senha ou código de autenticação por telefone ou mensagem.
Empresas de segurança cibernética desenvolvem soluções para identificar padrões de deepfake, robôs em conversas e acessos automatizados. Paralelamente, autoridades policiais criaram delegacias especializadas em crimes cibernéticos, ampliaram a cooperação com provedores de internet e estimularam o registro rápido de ocorrências por parte das vítimas.
Quais hábitos ajudam a reduzir a exposição a golpes digitais?
Para reduzir a exposição, analistas sugerem uma rotina de cuidados simples, porém consistentes. Limitar informações pessoais em perfis públicos, atualizar senhas com combinações fortes e evitar o reaproveitamento da mesma senha em vários serviços são práticas essenciais.
Também é importante registrar boletim de ocorrência e notificar o banco ou serviço envolvido imediatamente em caso de suspeita. Como a tendência é que os golpes sigam se adaptando às novas tecnologias, a atenção permanente e a educação digital contínua se tornam centrais para a segurança online.
